Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

domingo, 5 de janeiro de 2014

O que faria?






Perguntas, o que eu faria,
Se chegasses de surpresa,
E modificasse minha vida,
Trouxesse para ela, vida,
Mais vida, mais intensidade,
Mais busca e completude!

O que posso dizer?
Apenas que, sempre,
Em qualquer lugar,
Onde reapareces em minha vida,
Hoje, amanhã, depois,
Como antes, como sempre,
A vontade de estar junto,
Cresce, se fortalece,
Traga meus pensamentos, minha vontade,
Realiza-se no ato de beijar,
No sentir desejar e ser desejado!

As portas da vida estão sempre abertas,
Para que se possa entrar, para que se possa sair,
A liberdade de ir é a que Hermann Hesse,
Dizia ser a verdade do amor!
Se teu amado partires, deixa a porta aberta,
Se ele não voltar, é porque nunca te amou,
Se bater novamente em tua porta,
Apenas para avisar que está pronto para entrar,
Deixa-o entrar, recebe-o com amor,
Porque este, sempre te amou!

Se me perguntas...
Não perguntes,,,
Sinta, hoje, sempre,
Enquanto sopra em nós,
A chama da esperança, da vida,
Do amor!

sábado, 4 de janeiro de 2014

Esquilos de Pavlov






Sinopse:

Ciprian Momolescu é um jovem romeno que vive de bolsas artísticas em peregrinação pela Europa na companhia do gato Li Po. Enquanto narra a sua história, Ciprian redesenha os mitos familiares deixados para trás - o pai, poeta frustrado, autor de livros infantis sobre um ursinho metalúrgico, a mãe hesitante, o avô decadente e todo um ambiente afetivo que se arma e desarma na cadência frenética desta prosa. Ao receber uma bolsa da obscura fundação Das Beckwerk, em Copenhague, ele se depara com artistas desencantados, estátuas profanadas e a figura fugidia da Senhora Pavlov, que fará a ele e a seus companheiros uma proposta ambígua, crucial, que acaba por revelar um inusitado caminho. Em 'Esquilos de Pavlov', a artista visual e poeta Laura Erber entremeia a escrita do romance com uso de coleção de fotos que dialogam com a narrativa, criando uma intertextualidade entre a palavra e a imagem. A autora se apropria com liberdade das bases do romance de formação para construir uma ficção impiedosa, por vezes lírica, marcante não só pelas frases precisas e espirituosas, mas pela maneira distinta de fazer literatura.

Minha Opinião:

A autora, é formada em Letras, com mestrado e doutorado além de  residências artísticas na França, Alemanha, Bélgica, Cuba, com trabalhos expostos em centros como o MAM, no Rio, e a Fundação Miró, em Barcelona. Já publicou livros de poesia por editoras independentes, em 2010, fazendo pesquisas na Dinamarca para o doutorado, ocorreu a ela esse nome, Ciprian Momolescu. "Nas minhas poesias, já apareciam vozes que não eram mais a minha. Então surgiu a necessidade mesmo de criar esse personagem".
Interessada em testar formas narrativas enquanto refletia sobre arte contemporânea, produziu um romance agradável, inteligente, rico em erudição, leve e solto, com inflexões de linguagem e pensamento novas e enriquecedoras.
Não queria tratar do tema com a poesia ou num ensaio crítico. "Fui dando vida a esse narrador que deflagrou o processo criativo e outras questões que eu vinha pensando foram tragadas pela narrativa. O romance acabou sendo um lugar onde eu pude fazer uma articulação, uma mistura de colagens desses relatos que eu vinha acumulando", explicou para esclarecer a experiência mais que exitosa.
Nesta história, Ciprian é um artista romeno que vaga pela Europa de residência artística em residência artística. Seu pai também experimentou a arte, mas seu contato com o Surrealismo foi frustrado e ele acabou sustentando a família com a história que criou, do ursinho metalúrgico que tem a chance de ganhar o mundo, mas volta sempre à rotina. Ao seu lado, o gato Li Po. Às vezes, uma mulher. No fundo, relações familiares precárias, numa obra que traz nomes de artistas do mundo todo, nos lançando como que numa enciclopédia da arte contemporânea pelos olhos e reflexões de Ciprian.
O livro é brilhante, de uma leitura que beira o fascínio, esperamos que seja o primeiro de inúmeros romances, que nos prometem uma nova abordagem da linguagem e sua relação com a arte.
Imprescindível!

Do livro de Laura Erber





“(...) No caminho de volta Bunzel redefiniu suas convicções e sintetizou sua nova fase teórica numa frase que ainda hoje circula nos cursos de história econômica da Universidade Aahrus: se trabalhar é saudável deixe o trabalho para os doentes. (...)”

Para quem não sabe Gustav Bunzel foi um historiador e economista dinamarquês, marxista, que criou partidos trotskistas na década 70-80! Interessante é pensar que a esquerda sempre procura melhorar a vida das pessoas, retirando das que mais estudam, trabalham, têm méritos, e se esforçam para alcançar seus desejos, para distribuir para os que nada têm, como se fossem vítimas de todos os que trabalham e têm méritos, e não de suas próprias escolhas!
O pensamento de Bunzel sintetiza bem a compreensão do mundo do trabalho e da política da esquerda!

Proibido Proibir





Em 1968 os jovens foram às ruas,
Povoaram as imaginações,
Com slogans grandiosos,
O maior deles...
É proibido proibir.

Vivemos a ressaca,
Deste movimento promissor,
Que nos legou,
Um mundo cheio de proibições!

Não podemos mais fumar,
Não podemos mais beber,
Não podemos mais dirigir em alta velocidade,
Não podemos mais seduzir,
Não podemos mais...

Em realidade, não podemos mais,
Deixar de proibir!
Nada mais será permitido,
Se a lei não o permitir,
Porque a lei, é feita para proibir,
Os que não querem proibições,
De fazer o que se proíbe!

As erínias se voltaram contra nós,
Como vingança,
Clamávamos liberdades,
E agora, fabricamos cadeias,
Polícias poderosas,
Penas cada vez maiores!

Como consolo,
Dizem querer nossa saúde,
Nossa felicidade,
Nosso progresso,
Nossa sanidade,
Nossa segurança

Não temos nada disso,
Nem o direito de dizer!
Quero ser livre para escolher tudo isso,
Não quero que escolham nada por mim!
Quero ser livre,
Para ser infeliz,
Para não progredir,
Para adoecer,
Para correr riscos!

Quero ser livre,
Para ser HUMANO.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Deserto





Sinopse:

Na década de 1970, um grupo de adolescentes brasileiros vai a Israel para ajudar na colheita de frutas cítricas e aprender a história do país. Eles dispõem de alguns dias de folga, mas estão proibidos de viajar à Europa, onde um judeu ingênuo poderia ceder às tentações burguesas e se desviar do caminho do sionismo. Um deles transgride a interdição e vai para Londres. Com esse enredo, Luis S. Krausz tece a fascinante história de famílias de judeus russos e do Império Austro-Húngaro, dispersas após a Primeira Guerra e o início do nazismo. Nas suas andanças, o jovem parece reatar os laços entre parentes de Israel, Inglaterra e Brasil. Mas ele sabe que o tempo, a distância e o esquecimento desfizeram esses laços para sempre.

Minha opinião:

Lendo o Estadão de sábado, informei-me sobre os livros que poderiam ser premiados no ano de 2014, porque obras significativas publicadas em 2013. Surpreso não li nada sobre FIM de Fernanda Torres, mas havia uma crítica elogiosa a Deserto de Luis S. Krausz. O livro é de leitura penosa, rico em pedantismo superficial, prolixidade inútil, reiterações desnecessárias e vazias, certa puerilidade, que se tivesse sido escrito aos 16 anos, seria desculpável, aos 50, uma tragédia. Uma experiência pueril, de um adolescente que pensa com a cabeça de 50 anos, em cenas surrealistas, mas pobres. Uma injustiça com o autor e com Proust a aproximação forçada dos estilos. O título é bem aplicado por ser um deserto literário, árido, com escorpiões e cavernas inúteis. O veneno do tédio é mortal à literatura. Este é o caso desta obra, que não tem nada para ser premiada!