Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Desconjuntado





Desconjuntado de mim
Braços e pernas livres,
Para seguirem seus próprios caminhos,
Pensamentos livres,
Que originados num cérebro,
Tão senhor de si,
Independente de mim,
Desconjuntam minhas certezas,
Tornando-me um espelho quebrado,
Mil pedaços fraturados,
Da imagem que tinha,
De mim!
Desconjuntado de mim,
Estranho de mim,
Abandonado de mim,
Não sou mais um inteiro,
Mas uma miríade de existências,
Contraditórias, paradoxais,
Incompreensíveis,
Mas antes de tudo,
Desconjuntadas de mim!
Que é a unidade que percebe,
Este todo desconjuntado,
Senão a consciência,
Deste precário existir!?

Pensando em ti





Estava eu pensando.
Melhor, sentindo!
Que és o amor originário,
Que és o amor maior,
Que és o amor único!
Porque me move,
Porque me fazes existir,
Porque me fazes sentir,
Que ainda vivo,
Que ainda encontro,
Um lugar tão especial...
Um lugar tão presente...
Na falta que sinto de ti.

Pensando em ti!

Desencanto





Desencanto de mim,
Que vivo assim,
Num país chinfrim,
Onde as lei não valem,
Onde as penas não se cumprem,
Onde os impostos se multiplicam,
Onde os políticos não representam,
Onde o Estado é fraco,
Onde o Estado é gigante,
Onde o Estado é aparelhado,
Onde o Estado é incapaz,
Onde há excesso de Estado,
Onde há falta de Estado,
Onde eu não queria ver Estado,
Onde o Estado quer se impor,
Onde tudo que vale a pena,
Onde o meu país,
Deixou de existir,
Para existir apenas,
Um país chinfrim!

Desencanto!