Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

TED

 
EUA, 2012. Direção: Seth MacFarlane. Com: Mark Wahlberg, Mila Kunis e Seth MacFarlane.
Ted, o urso de pelúcia de John, ganha vida e eles viram melhores amigos. Já adulto, John mora com Ted, que passou a apreciar maconha e garotas. John fica entre a amizade e o namoro. 106 min. Não recomendado para menores de 16 anos.
Um filme inteligente que coloca a realidade da vida masculina, da visão de mundo do homem. TED nada mais é que o companheiro do eterno crianção John, como o próprio companheiro de Garfield. TED é um arquétipo, os conflitos com as mulheres são os conflitos reais que vivemos, as dúvidas que permeiam as relações entre os sexos, e as abomináveis condições e sujeições femininas. John e TED fazem uma dupla onde a vida se mostra leve, gratuita, livre, como é a vida do homem em contraste com a vida feminina, opressiva e obcecada por conceitos e rótulos! O filme é antes de tudo uma alegoria das relações de "gênero", bem humorada e leve. Vale a pena ver!
Importante lembrar que o filme de Seth Mac Farlane, conhecido por fazer séries de animação, estreou no cinema como diretor cinematográfico com este filme leve e interessante como análise das relações de gênero. Está marcado por um saudável humor politicamente incorreto, e portanto não é indicado para menores de 16 anos, como acertadamente foi rotulado pela indicação. Devemos observar que o Protógenes, aquele deputado eleito pelos votos do Tiririca levou seu filho de 11 anos, contra a indicação, e depois quis proibir a exibição do filme. A cara de um deputado “tiririca” no mau sentido!
Ted é um ursinho de pelúcia que faz o papel de amigo imaginário de um jovem solitário, e que por não ter amigos acaba por dar vida ao ursinho que ganhou. O convencimento do público de que a vida de Ted é uma possibilidade real, é um dos encantamentos do filme, porque Ted pode ser qualquer dos amigos de nossos filhos adolescente, ou todos eles. Ted faz o que todos nós homens gostaríamos de fazer, ele é o que pensamos, sem os limites impostos pela falsa moralidade.
Ted e John envelhecem, porém, nunca deixam, como todos os homens, de ser crianças, seu brinquedos mudam, mas eles permanecem na eterna infância masculina. Fumar maconha, beber cerveja, falar palavrões, criar jogos grotescos, desejar todas as mulheres, faz parte do universo lúdico masculino que o feminismo e a hipocrisia politicamente correta, quer suprimir, mas só faz esconder.
Lori, por quem John é apaixonado espera antes de tudo estabelecer uma relação madura e exclusiva, corretamente conceituada e rotulada, como toda mulher deseja. É bem sucedida no trabalho e suporta as investidas do chefe, um esnobe, que brinca com sua funcionária num jogo de sedução, a resistência feminina ao assédio se contrapõe à leveza da insana irresponsabilidade masculina, que não consegue misturar o que é separado afetivamente.
MacFarlane dirige, escreve o roteiro e empresta a voz ao personagem título, por óbvio revivento arquetipicamente as suas próprias experiências com os personagens imaginários do mundo masculino. É um feliz e alegre longa metragem que tem tudo para agradar o espectador. Curioso e divertido chega a emocionar o público fazendo-o aceitar, não só a possibilidade do relacionamento de John com TED como ainda fazer o público penalizar-se com a morte deste e torcer para que no final, Lori o traga novamente a vida, posto que a masculinidade, a alegria e a vida de John, se esvaziam sem sua juventude atávica. O encontro com Flash Gordon é ponto alto do filme e paradigmático para os meninos de todas as idades.
O filme tem ainda a boa fotografia de Michel Barret, posicionando bem a câmara para aproveitar os encantamentos da histórica Boston, conseguindo tornar Ted parte da paisagem de maneira plausível e nada forçada. A trilha sonora de Walter Murphy é um destaque positivo e agradável e a produção é exemplo perfeito de como a imaginação pode se apresentar livre de limites e barreiras, sem se tornar grotesca.
Pessoas talentosas, que sabem bem executar uma ideia brilhante, leve e alegre, conseguem transformar o imponderável em algo agradável e no limite muito educativo sobre a natureza dos homens. Digo Homens de verdade, aqueles que nunca se esmeram para parecer-se superficialmente maduros!

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