Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Sinto


 


 

 

Sinto a dor da ausência,

Sinto a dor da indiferença,

Sinto a dor da ingratidão,

Sinto a dor da ofensa...

 

Mas, ainda creio no amor,

Ainda creio que há chama onde só aparecem cinzas,

Ainda creio que há esperança, onde só se oferece abandono,

Ainda creio em você, porque sei que você existe e não é...

Cinzas, abandono, ausência, indiferença e ingratidão.

 

A distância é medo de proximidade,

A agressão é medo do carinho,

O afastamento é necessidade de abandono.

Mas, porque toda essa dor,

Se é possível construir por amor?

 

Dor, é só o que sinto,

Dor, foi só o que sentiu,

Sós, somos dor e sofrimento,

Juntos somos fortes, vigorosos,

Amantes verdadeiros, únicos,

Inesquecíveis, inestimáveis.

 

Temos a chance da eternidade,

Basta querermos de verdade!

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Verdades

 



 

É verdade, tudo que te digo,

É verdade, tudo que sinto,

É verdade, tudo que sou.

Não imagino outra verdade,

Que aquilo que sou, quando sou em você!

Não admito outra verdade, que a verdade em você.

 

Mas, mesmo assim, não crês no que sou,

Porque não sabe me encontrar nas palavras que escrevo,

Porque não sabe me ouvir, nas palavras que digo,

Não consegue perceber o que sou e como sou,

Quando existo assim, tão somente em você!

 

É verdade, sou um apaixonado,

Apaixonado pela vida, pelos teus olhos,

Pelos teus cabelos, pelo teu jeito, pelo teu falar,

Pelo teu ouvir, pelo teu existir.

E quanto mais apaixonado, mais perdido de mim.

 

É verdade, preciso me reencontrar,

Tão longe de ti quanto necessário para voltar a me amar,

E então, reconstruído, entender o que me fez pedaços,

E então, reinteiro, compreender o que me fez vazio,

E descobrir que posso viver sem você.

 

É verdade. Uma tão simples verdade, vivo...

E se vivo, estou pronto para amar, e viver,

A verdade de existir para este outro você.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Pedaços

 



 

Tem um imenso pedaço de mim perdido,

Perdido dos toques, perdido dos abraços,

Perdido dos olhares, perdido dos beijos.

 

Há um imenso pedaço de mim,

Sangrando tua falta, morrendo um pouco,

Já um muito, a cada dia, em você.

 

Estes pedaços, que não podem ser revividos,

Só existem quando você está aqui,

Quando tua voz e tua presença se afirmam em mim.

 

Pedaços que deixaram fundas fraturas,

Deixaram dores e feridas que me machucam.

Pedaços que funcionam como granadas.

 

E então, quando te vejo,

Percebo o quanto eras deusa e magnífica,

Quando ausente, quanto abismo, quanta escuridão.

 

Pedaços de mim que vão se desprendendo,

Vão reduzindo a inteireza da alma,

Até que não me reste nada.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Bukowski

 



 

Bukowski disse:

"Dizem que se alguém se vai é porque

Nunca significastes nada, suponho

Que é algo estúpido, mas real".

 

O velho Buk, o velho safado,

Podia ter lá seus defeitos,

Podia estar sempre zoado,

Mas acertava sempre no alvo.

 

Se alguém parte, se acredita

Num motivo para ir-se de tua vida,

É porque não significastes nada,

Porque amor, não se desfaz.

 

Amor é superação,

Amor é admiração,

Amor é consideração,

Amor é permanência.

 

Assim, quando te encontro,

Acredito em mim, acredito em você,

Percebo então, que meu lugar é aqui,

E suponho que tudo é real.