Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Insatisfação





Estava insatisfeita, olhava o teto,
Refletia sobre encontros e desencontros,
Descobrira, sem uma ponta de dor,
Que jamais tivera aquele que queria,
E assim, jamais quis aquele que tinha!

Esta é a fórmula da insatisfação...
Por que não há que se contentar no amor,
Com o que não se quer, mas se tem,
Nem e deixar de ter o que se quer!

Há que ousar no amor, sair em busca,
Gastar nossos pés, descarnar nossos ossos,
Mas apenas descansar, quando acontecer...

De encontrar aquele amor que se queria!

Desencontro




Muitas vezes me esperas...
E parece que não te encontro.
Se soubesses que todas as vezes que estás a me esperar,
Estou sempre a caminho,
Saberias que na minha história e na tua história,
Quando se fundem num nós,
Que se prolonga no tempo,
Não há ontem, hoje ou amanhã, mas um sempre!

Não me culpes porque o tempo, o espaço e as coisas,
Produzem acidentes que me impedem de caminhar,
Que toldam o meu destino desejado...
Não me culpes se eu não posso fazer com que as curvas da estrada,
Se façam retas que só conduzam até você....
O que sei é que
Se penso milhares de vezes em cada momento
Que permaneço contigo,
Há uma necessidade louca de pensar outras milhares de vezes,
Que haverei de buscar-te, incansável...
E é assim que me movo no espaço e no tempo!

Se a minha existência é curta,
Meu amor é longo!
Se a minha vida se esgota em cada segundo,
Em cada momento que respiro,
A cada volta do relógio,
Isso não acontece com aquilo que sinto...
Com aquilo que anseio, quando penso em você!

Muitas vezes os desencontros não são mais,
Que projeções de encontros,
Que hão de se dar e que não se limitarão,
A uma permanência da ausência,
Mas a uma premência de estar!

Os desencontros são apenas a angústia,
De encontros que hão de se dar,
Desde que saibamos tornar o hoje, um sempre,
Sem a tristeza da mágoa,
Do esquecimento e do abandono,
E isso é o que me faz amar você!


Como escrever




Envolvido pelo desejo que me despertas,
Pensei na intensidade do sentido, do tato,
Daquilo que é percebido como o querer!

No templo escondido, onde amor se desvela,
Há guardião entumescido, ou será entumecido,
Ou como corrige o editor de texto, intumescido.

Certamente enlouquecido, apenas de paixão,
Mas também de necessidade de dizer, como dito,
Aquilo que queria sentir, no lugar escondido...

Fui destemido, ao pai dos burros, Aurélio, esclarecido,
E lá encontrei, imagine só meu querido amor,
Que era tão certo entumescido, entumecido e intumescido,
Como é certo e tido, o amor que tenho por ti ensandecido!

Intimidade




Amor é sentimento puro, intenso,
Nasce de forma sorrateira, única,
Mas ganha tão inesperadamente...
Necessidade de intimidade permanente!

Como todo ato de encontro com o outro...
Traz consigo estranhamento, receio, medo,
Por que nunca é fácil o primeiro beijo,
Superar a dúvida, como haverá de encaixar...

Sim, por que toda primeira vez,
Há que saber onde vai o nariz...
Onde e como farei, para pousar as mãos,
Como será recebido o toque do quadril!

E então a volúpia se faz alvoroço...
Por que como presumir como receber,
Como saber o que vai no íntimo,
Se não permitires que o encontre?

A tensão, a expectativa do encontro...
Do templo amado, sem a marca do desejo?
Sem a presença entumescida do querer?
De um amor assim, sem pudor...?

A intimidade trás consigo um temor.
Que não sejas só minha, que não seja por amor!
Mas, saiba que não me importa nada do antes...
O que me importa é só o hoje e o amanhã, amor!

Mas, não olvides nunca, por favor...,
Que a cada dia que te encontro,
Hei de buscar em teus olhos, o desejo,

De me ter todo inteiro em ti, amor!

Descoberta Inocente




Acomodara-se na cama...
Inquietude que quer repousar!
Sabia, sentia a falta,
Mas então, não saberia objetivar!

Inocente, o travesseiro entre as pernas...
A luz, réstia sob a porta, Sol a testemunhar!
Uma sensação, a languidez, a umidez,
Como uma onda de calor que corre o corpo!

Inocente, reconhece a descoberta,
Como toda descoberta, antes intuída,
Antes surpresa, do que desejada,...
Como descoberta, sujeita a progressos.

Primeiro, um dedo, depois dois, carícias...
E então perfume, reconhecido, sem antes,
Percebida a maciez, a leveza, o toque...
Assalta sem pejo a necessidade, o frenesi de repetir!

Nem tempo, nem lugar, nem história,
Vácuo beatífico, calafrio que se espalha,
Vontade, urgência, exigência do contato...
Nada, tudo, ofegar, arquear... gozo!