Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quarta-feira, 25 de março de 2015

À deriva





Sinto-me à deriva,
Deriva de mim,
Deriva do tempo,
Deriva do destino,
Deriva da existência.

Sinto-me só,
Só de mim,
Só no tempo,
Só no destino,
Só na existência.

Mas esta é minha condenação,
Sou livre, tão radicalmente livre,
Que não há acaso, mas destino,
Realizado por mim, em minhas esquinas,
Realizado por mim, em minhas encruzilhadas.

Onde estarão os atores?
Onde estarão aqueles que...
Deveriam dividir,
Sua existência livre, comigo;
Sua inexistência fática, comigo;
Sua tristeza e amargura, comigo;
Sua felicidade e brandura, comigo?

Estou livre e tão livre,
Que estou só, no mundo,
No palco, do teatro do destino,
Sem objeto, sem rumo,
Sem encontros, sem desencontros,
Numa modorrenta angústia,
Que se repete infinitamente,
Pela mesmice do olhar,
Da paisagem,
Da permanência.

Sinto-me como um Kamikaze,
Voando tanto mais rápido,
Quanto mais próximo o destino final,
Sei qual é a consequência deste encontro,
Um encontro comigo mesmo,
Que me aniquila, porque aniquilado estou,
Porque não sou deste mundo,
Que pleno de cadeias e formalidades,
Não consegue me conter, como não contém,
Mas causa-me dores, lancinantes dores,
Que me fazem acelerar o vôo,
Até o destino final.

Mas todos teremos o mesmo destino,
Que diferença fará se hoje ou amanhã?
Que diferença fará se for fortuito ou desejado?

Estou à deriva...
Desancorado...
Nauseado...
Meditabundo...
Pensando no Ato Final!

Descerra-se a cortina!

terça-feira, 24 de março de 2015

O Reino que não era deste Mundo




 O Reino que não era deste Mundo


'Uma conspiração maquiavélica que beira as raias do absurdo. Mais do que duas forças políticas, duas elites disputando um ardiloso jogo de xadrez. Um tsunami prestes a engolir os donos do poder. E você, de que lado estaria? Para entender o Brasil de hoje é preciso entender os bastidores de uma disputa pelo poder que começa em 1831 e envolve nada mais, nada menos que alguns dos principais personagens da nossa história. De um lado, os monarquistas, os novos-ricos, D. Pedro I, Duque de Caxias, Barão de Mauá, D. Pedro II, Princesa Isabel, Conde D’Eu; do outro, é claro, os republicanos, os escravocratas, os cafeicultores, Barão de Cotegipe, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Floriano Peixoto. Nas cenas derradeiras, em 1889, o enfermo Imperador D. Pedro II está vindo de Petrópolis. No Rio de Janeiro, duas conspirações estão prestes a se chocar. Em uma das frentes, a Princesa Isabel trama a transição para o Terceiro Reinado. Na outra, os republicanos colocam em marcha planos sediciosos para proclamar a República. No meio, o Marechal Deodoro terá que escolher um dos lados. Ambas as elites caminham sobre um vulcão em erupção. E o povo... o povo, como sempre, está à mercê de sua própria sorte, sua péssima sorte.'

O que penso:

A República é modernidade e democracia? A monarquia é reacionária e autoritária? O livro de Marcos Costa afasta definitivamente tais crendices e nos instrumentaliza para repensar a história do Brasil, reconhecendo que republicano era o Império, e o maior e mais democrático governante brasileiro foi D. Pedro II. A república foi um retrocesso histórico, foi um golpe reacionário que retirou do Brasil a chance de um desenvolvimento democrático e institucional que nos tornasse uma nação desenvolvida, próspera e estável. A não ser por uma escrita muitas vezes excessivamente coloquial, com alguma jocosidade desnecessária, o ensaio de Marcos Costa é não só interessante como muito importante para repensar o Brasil e sua elite política antirrepublicana, numa República que só tem nome, mas que é sim uma oligarquia de sistema fechado! Muito bom!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo




Hoje convencionamos pensar que é o 31o dia do décimo segundo mês do ano solar que numeramos arbitrariamente de 2014 da era Cristã.
Dionísio, o Pequeno, com seus cálculos equivocados marcou os anos a partir do que acreditava ser a data de nascimento do Mestre de Belém, mas isso absolutamente não nos diz respeito.
Ainda, ficam muitos sujeitos imaginando maneiras de reformar o calendário Gregoriano, por que instituído por Gregório XIII, um papa preocupado com a evolução do tempo.
Mas o calendário já é um patrimônio de toda a humanidade, ele já incorpora muito simbolismo e o encerramento de um ano e a abertura de um novo, com o dia da Paz Universal, é uma convenção simpática e benfazeja.
Neste dia desejamos muitas coisas a todos os que amamos, os que apreciamos, os que conosco dividem este existir precário neste pequeno planeta insignificante e sem objetivo!
Eu não poderia deixar de desejar a todos e a cada um de meus amigos, que esta data marque mais uma passagem, mas não apenas uma passagem convencional, mas uma passagem para a construção de um existir melhor, mais determinado, mais inconformado, e que se construa a cada um e em todos os dias, um ano novo! Todos os dias são igualmente bons para se começar tudo de novo, o acordar vivo todos os dias é promessa inexcedível de existir novamente e criar novos objetivos, perseguir novas metas, acreditar ainda mais e melhor em nossas possibilidades!
Assim, Feliz Ano Novo a todos os que amam a vida, Feliz Ano Novo a todos que acreditam que existir vale a pena, Feliz Ano Novo a todos que à convencionada 0h00 estejam pensando em seus amores, estejam vivendo intensamente aqui e agora, acreditando num Futuro-do-Passado melhor, e olhando com carinho para o Passado-do-Futuro intensamente vivido.

Que venha 2015!