Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Se soubesses me ouvir...





Não ouvimos apenas com as orelhas,
Ouvimos quando nos pedem,
Importe-se, acompanhe-me,
Leia-me, escute minh’alma,
Escute meu viver,
Que silencioso marca,
Com o compasso de minhas dores,
Cada pensamento e sentimento,
Que alimentam minha existência!

Não, não sabes me ouvir,
Porque sequer sabes o que sinto,
Porque sequer sabes o que penso,
Porque olvidas meu existir,
Olvidas meu pensar doloroso,
Sobre a verdade desfeita de nós dois!

Não, não sabes sequer onde estou,
Não sabes por que estou,
Não sabes a diferença entre meu sofrer,
Entre meu cansaço de existir sem sentido,
Que se prolonga no teu egoísmo,
De não perceber que existo, para além de ti.

Não, não sabes me ouvir,
Porque em teu insano egoísmo,
Planejado ou sofrido,
Permaneces ausente da vida,
Permaneces ausente da relação,
Que um dia foi tudo,
Hoje é fardo e pesadelo!

Chorar é indigno,
Lamentar é perverso,
Então o remédio é ausentar-se,
Mesmo que na presença!

Depois não lamentes que...
Ao partir, também não saiba ouvir...
Teus lamentos, que me soarão,
Desarrazoadas e incompatíveis,
Com aquilo que prometestes,
Mas que não é mais que saudade!

Tempo, tempo...





Houve um tempo,
Há muito tempo,
Tanto tempo que...

Mas o tempo passou,
Tanto passou, que sua lembrança,
Traz o sem sentido do que é...

O tempo passou,
Não podem mais se resgatado,
Os sentimentos,
As verdades,
Os carinhos,
Os desejos,
O tempo passou,
Ficou o gosto amargo,
Que o passado imprime,
Na falta que fazemos,
Um no outro...

E foi-se o tempo das chances,
Foi-se o tempo das possibilidades,
Foi-se o tempo do retorno,
O tempo! Ah! O Tempo...

Estamos juntos, e separados,
Porque o tempo esqueceu,
Das promessas, das verdades,
Das pequenas inconsistências da verdade,
O tempo sepultou,
Toda uma feérica avalanche de desejos.

Ah! Esse tempo impiedoso que passa,
Marcando o passo para o final,
Que se avizinha, apenas para arrastar,
O próprio tempo do passado que se acha,
À frente como futuro...

Tempo, este tempo que já não nos pertence,
Um tempo que já dei a outro, um tempo,
Que não mais permite o resgate,
Das doações, das purezas, das promessas...

Tempo, impiedoso tempo,
Deus cruel de nossa liberdade!

Tempo, meu passado-do-futuro,
Meu futuro-do-passado!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Leituras




Quando lês o que escrevo,
quando relês,
o que entendes,
não é o que sinto,
mas o que faz sentido,
dentro de tua insegurança,
do que é para ser nosso amor!

Quando lês o que escrevo,
quando os relês,
não quer dizer que saibas,
de onde vem meu sofrimento,
de onde vem meus dizeres,
de sentimentos indizíveis,
não se escondem neles verdades,
nem neles se expressam mentiras,
mas deles transbordam sofrimentos,
devaneios, pensamentos,
desejos, sofreguidões.

Quando lês o que escrevo...
acautela-te de ti,
acautela-te de mim,
para não compreenderes o que não está escrito,
que de ti sinto a falta,
que de ti sinto a dor da ausência,
que de ti sinto o ardor da presença,
em cada mensagem,
em cada palavra,
em cada pertencimento!

Indizível afirmar, que quando escrevo,
quando me lês,
estou todo inteiro em você,
mais do que no meu silêncio,
que é só dor, afastamento,
que ensandece meu juízo,
até a dor do desespero,
até a felicidade do reencontro!

Leias-me, mas em mim,
não em volta de mim,
no nada que me resta,
sem a tua presença!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ausências




Tanto tempo,
nenhum esquecimento,
uma saudade insana,
que marca tua presença,
com o passar do tempo de tua falta.

Reapareces...
saudades, minhas ou tuas?
Minhas, muito minhas,
diz, tuas,
acredito, fico feliz,
e o silêncio?
Ah, o silêncio do respeito,
do preservar tua intimidade,
do garantir tua liberdade,
do reconhecer minhas insuficiências.

Sois como um raio de luz,
um encantamento,
uma presença viva.

És uma irreverente,
uma contrária a tudo,
contrária a todos,
aos preconceitos,
às limitações,
às convenções!

Mas queria saber de ti,
que é mais contrário,
do que tudo, do que todos,
do que o amor que nutro por ti?

O que poderia ser mais...
revolucionário,
desconforme,
arbitrário,
desafiador,
do que o amor,
entre a bela e a fera.

Talvez seja eu...
a maior de tuas transgressões,
você, a maior de minhas conquistas!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Aniversário






E não é que hoje é aniversário!?
Aniversário de namoro,
De um namoro que não existe mais,
De um namoro que morto,
Se torna peso, arrastado,
Por medo do teu sofrer!

Quanto carinho, quanta dedicação,
Quantos momentos, quanta verdade,
Quanta promessa, quanta felicidade,
Quanta oferta, quanto comprometimento,
E agora isso,
Acabou o amor!

Sinto-me culpado, sinto-me vazio,
Sofro mil vezes mais, que você,
Que está prestes a ser abandonada,
Mas que não sabe, que já me abandonou,
No momento mesmo, que implorou,
Se humilhou, se justificou,
Mas esqueceu que o amor,
É respeito,
É admiração,
É dignidade!

Sem isso, esse amor é apenas...
Comiseração,
Dó,
Fraqueza,
Escravidão!

Não, não é amor,
Não, não é aniversário,
Não, não é o que quero!

Quero fazer outros aniversários,
Onde você não mais estará comigo,
Mas outro será o objeto deste amor,
Que te tinha, não te tenho mais,
E como me dói...
E dói mais em mim,
Que o sei, que tenho consciência,
Do que em você, que pode gritar,
Chorar, xingar, ameaçar,
Inconsciente de suas responsabilidades,
Na morte do amor,
Que desaniversaria hoje, bem hoje,
Quando seria seu aniversário!

Você me ama?
Você me quer feliz?
Deixa-me partir,
Se feliz eu for, deverei toda esta felicidade,
Toda esta liberdade a você!

Se infeliz eu for,
Porque perdi o teu amor,
Serei sereno, porque perdi,
Porque fui livre para partir,
Continuo livre para voltar!

Assim, este desaniversário,
Pode ser a antessala,
De muitos aniversários,
De amor e de felicidade,
Para mim e para você,
Talvez separados,
Talvez reunidos,
Mas não agora!...