Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Encontrando






Você, como que, sempre esteve perto,
Mesmo que distante,
Sempre tive uma paixão serena e segura,
Que nutria por tua presença!

Não imaginava porém,
Que fosse tão belo e bom estar perto de você,
Apenas que, temo, temo muito,
Cada momento perto de você,
Apenas por que não quero fazer nada que te afaste de mim!

Como é bom estar com você,
Mesmo que seja um pouco,
Mesmo que seja de maneira fugaz,
Mesmo que seja para perceber o movimento de teus lábios,
Mesmo que seja para perceber o sorriso em teu rosto,
Que seja para ver os movimentos de tuas mãos,
O esmalte que tens nas unhas,
O tamanho de tuas mãos,
A predileção por certo tipo de roupas,
A forma como cortas o cabelo e os deixa compridos,
Belos que são!

Foste gentil, foste meiga,
Carinhosa, surpresa, digna,
Foste como uma princesa,
Que se coroou pela forma meiga,
Discreta de dizer-me obrigado!

Mas mesmo assim, com este pouco,
Que era esperado a tanto tempo,
Fico imaginando o que devo fazer,
Como devo fazer, para te ter,
Cada dia mais próxima de mim!

Encontrando você, eu me policio,
Para que não percebas o bem que me faz,
Para que não percebas o quanto te tenho,
Dentro de mim, guardada sempre,
Admirado sempre, de tua beleza e encantamento.

Encontrando você, sei que existo,
Sei que estou vivo, hoje e sempre,
E que acredito, sim acredito,
Que possa sempre amar, e de novo,
E novamente, amar, apenas para cuidar-te!



segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os Dez Mandamentos (+ um)


Os Dez Mandamentos (+ um)
Se Luiz Felipe Pondé



Sinopse:

Para judeus e cristãos, os Dez Mandamentos constituem o núcleo da mais elevada espiritualidade. Formulados por Deus a Moisés, eles fixam as leis que devem reger a relação das pessoas entre si e com o sagrado. Nesse livro, o filósofo Luiz Felipe Pondé analisa, um a um, os mandamentos e reflete sobre sua importância para o povo bíblico e seu significado para a humanidade, ontem e hoje. Guiado pelos ensinamentos dos sábios hebreus e dos maiores pensadores modernos, como Nietzsche e Kierkegaard, o filósofo lança nova luz sobre questões essenciais, como o amor, a amizade, a família, a política, a morte e, sobretudo, Deus e o valor da vida espiritual. Para Pondé, a espiritualidade é uma "questão urgente", pois ela caminha para o desaparecimento, à medida que a religião vai sendo transformada apenas em um meio de obter felicidade e sucesso. Neste mundo imerso na banalidade e no vazio, é também urgente recuperar a esperança na vida - motivo que leva o filósofo a formular, audaciosamente, um décimo primeiro mandamento.

Minha Opinião:

Diferentemente dos livros anteriores de Pondé em que ele se manifesta de maneira a contrariar certezas e criar conflitos na unanimidade do politicamente correto, uma leve tendência teísta de seu pensamento que já se manifestara no “Contra um mundo melhor” parece agora se consolidando, em flagrante conflito com sua insistência em dizer que não tem fé. Suas reflexões são de um homem de fé, e mais que isso, invocando uma tradição judaica, erudita e intelectualizada. Do cristianismo faz poucos, mas importantes apontamentos, que tornam mais compreensível os objetivos que pretende alcançar. Na página 105 faz o que considero uma afirmação muito temerária: “Sem culpa, portanto, não existe vida moral, que só respira quando a possibilidade do “inferno” (como signo do sofrimento moral) de fato existe. Diante do niilismo não existem culpados.”
Não acredito na culpa como elemento fundamental da existência de uma vida moral, Onfray, Sartre, Kierkegaard, Russell e outros filósofos nos permitem uma vida moral que prescinde da noção de culpa, ancoradas na noção de responsabilidade. Mais do que acreditar numa possibilidade da existência da vida moral sem a crença em Deus, tais filósofos nos permitem sim antever e perceber que a vida moral não pode depender de um ser projetado para além de nós mesmos. A vida tem magia, beleza e valor por si mesma, pela sua liberdade, pela sua possibilidade infinita de realização.
Quase um livro doutrinário que se compreendido com os últimos textos de Pondé, que têm sofrido uma guinada, abandonando a independência e se submetendo a modelos e estereótipos que apenas reforçam a alienação do sujeito, mostram que o autor pode estar sofrendo uma conversão a la G. K. Chesterton. Aliás, os últimos textos de Pondé quase que podem ser inseridos na boa tradição de “O que há de errado com o mundo”, que vale a pena ser lido.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Lucis Filia





Luz, onde estará a luz...?
Aquela luz que se esconde,
Em cada momento da vida,
Que o coração palpita,
Porque marca o tempo do encontro,
Que tão distante e tão perto,
Traz promessas insensatas, desejadas?

Somos amigos da luz, filia,
Somos aqueles que anseiam pela luz,
Que parte sempre do objeto amado,
Daquele em que projetamos todas as qualidades,
Belezas, delicadezas e sensibilidades.

Sim, mal sabemos,
Mal conhecemos,
Mas idealizamos nossos amores,
Construímos imensos castelos,
Que podem desmoronar apenas,
Se não nos esforçarmos, esfolarmos,
Para suportar suas paredes,
Para merecer as sombras que nos oferecem,
As paredes que nos protegem.

Simples somos todos,
Mas ao mesmo tempo,
Idealizados pelo carinho que se avizinha,
Tornamo-nos outros,
Mais brilhantes, mais luminosos,
Mais belos, mais encantadores.

Sim, simples somos todos,
Até sermos projetados sobre o Everest,
Quando então, como merecimento,
Devemos, de mãos dadas, subir,
Tal qual alpinistas destemidos,
Impertérritos, determinados,
Todas as íngremes escarpas,
Até alcançar o cume, onde então...
Hei de encontrar você...
Você haverá de encontrar a mim!

O encontro não se dará há 8 Km de altura,
Dar-se-á na profundidade abissal,
Tal qual Marianas, da ternura de teus olhos!

Lucis Filia, amigos da luz,
Que nasce sempre do sentimento que brota,
Dos lábios teus, dos olhos meus,
Do encontro realizado.