Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O Adversário






O Adversário
Emmanuel Carrère

Sinopse:

Durante mais de dez anos, de segunda a sexta-feira, Jean-Claude beijava a esposa e embarcava em seu BMW rumo a uma fantasia cuidadosamente arquitetada. Para toda a família, ele era um médico da Organização Mundial de Saúde. A suposta jornada de trabalho era cumprida em restaurantes à beira de estradas ou em passeios. Para dar mais veracidade à sua história, ele chegava a visitar a sede da OMS, na Suíça, de onde retornava com vários papéis timbrados, numa tentativa de manter a farsa. Quando suspeitou que estava para ser desmascarado, o falso médico não hesitou - preferiu eliminar as pessoas que amava e que gostaria que fossem poupadas de tamanha humilhação. Em 9 de janeiro de 1993, os vizinhos que se aglomeravam diante da mansão dos Romand testemunhariam a retirada de dois sacos plásticos, cinzentos e lacrados, com os corpos de seus filhos. Em seguida, a equipe de resgate traria para fora a mãe das crianças, Florence, já sem vida. Finalmente, ainda vivo e com fraco batimento cardíaco, Jean-Claude. No dia posterior ao assassinato da família, descobriu-se também que Jean-Claude matara ainda o pai, a mãe e o labrador dos pais. Intrigado por esse crime brutal, Carrère passou a se corresponder com Jean-Claude antes, durante e depois do julgamento, tentando compreender também a razão que levou Jean-Claude a viver todo esse tempo por trás dessa máscara.

O que penso:

Apesar dos percalços da tradução, o livro de Emmanuel Carrère nasceu um clássico da literatura. Há um excelente filme protagonizado por Daniel Auteil que é uma obra cinematográfica de relevo e que tem forte ancoragem no livro. Há uma cópia integral em francês na Internet (Youtube).  A prosa do livro é muito interessante, cuidadosa, genial, na medida que coloca claramente o dilema entre o romance fantasia e o romance real, a dor psicológica e moral do autor em relatar os fatos cometidos por Jean-Claude Romand sem que se comprometa com o reabilitar ou dar notoriedade a um ser humano autodestrutivo, com uma personalidade bastante controversa. O livro tem o grande e inestimável mérito de tornar o personagem, que é real, num personagem riquíssimo, que não tem outro igual no mundo ficcional, na medida em que real. Os conflitos as dores, dão ao leitor uma imensa dor de cabeça interpretativa, um questionamento de nossa própria existência! Junto com o livro O Impostor de Javier Cercas, têm produzido uma imensa discussão no mundo literário, e só por isso, o livro já é excepcional!

Meus dias não são mais os mesmos...





Sim, todos os nossos dias não são mais os mesmos,
Mesmo que nossos sonhos se realizem,
Mesmo que nossos sonhos se frustrem,
Porque em cada momento somos um,
Somados pelas experiências e pelos sentimentos,
Que nos assombram,
Que nos constroem,
Que nos despedaçam,
Que nos sustentam,
Mas mesmo assim, não nos apagamos,
Nos reconstruimos,
Nos reforçamos,
Nos estruturamos para uma nova batalha,
Que é viver cada dia,
Como se fosse o último,
Como se fosse o primeiro,
De tantos outros que gostaríamos de viver...

Nunca mais seremos os mesmos,
Porque cada dia é um reinventar,
Que não pode se alimentar das amarguras,
Das derrotas, dos abandonos,
Mas antes disso, construir-se para o futuro,
Que desejamos, que esperamos,
Que de maneira decidida procuramos...

Nunca mais seremos os mesmos,
Mas, podemos ser melhores,
Mais confiantes, mais sinceros conosco mesmos,
Enfim, nossos dias nunca mais serão os mesmos,
Porque estamos e somos melhores do que ontem,
E porque sabemos, como e porque queremos,
Buscamos e agimos, para chegar ao que nos pode fazer...
Felizes!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Teu nome





Acordo de madrugada,
Penso em você, e lá estava você,
Presente em mim, presente em minha história,
Distantes e tão próximos,
Ausentes de nós, sofrendo pelo que somos,
Pelo que deixamos de ser...

Você não tem certeza do que é,
Eu não tenho nenhuma certeza de minha existência,
Só sei que da última vez que olhei fundo,
Bem dentro de teus olhos,
Que olhei teu corpo,
Que senti cada parte de você,
Que percebi que naquele instante me desejava,
Cheguei muito perto de encontrar,
Enfim, o motivo de existir,
De existir para te amar...

Somos apenas estranhos,
Num mundo de solitários,
Num mundo de liberdades forçadas,
Que nos aprisionam nas correntes do nada,
De um nada que se avizinha pela solidão irredutível,
De existir, sem sentido...

Mas é como se você tivesse
Surgido em mim e eu em você...
Imagino todos os seus sofrimentos,
Imagino todas as suas faltas,
Imagino todas as suas sobras,
Não consigo dizer ou imaginar,
Uma forma de dizer que as amo,
Que não poderias ser outra mulher,
Que não apenas tão e somente você!

Sua sanidade não é mais crítica do que a minha,
Somos dois loucos em busca de um sentido,
Perdidos no mundo desvairado de mentiras,
Somos dois artistas do nihilismo,
Impregnados de um amor cínico pela humanidade,
Somos dois perdidos e achados,
Um no outro, um em outro,
Sou o que me fazes,
Serei mais, o dia que fores o que te faço...

Se sabes seu nome,
Sabes quem sou, onde estou,
E onde hei de me perder...