Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Mulheres






Como diz o escritor, posso não entender o que uma mulher vestida diz,
Mas sou plenamente capaz de compreender uma mulher nua.
Sei que tenho em mim uma bênção e uma maldição, o amar as mulheres!

Bênção porque se as tenho perto de mim, se as tenho encantadoras,
Meigas, carinhosas, apenas porque estão perto de mim, sou antes de tudo,
Dono de minhas verdades, seguro de minhas escolhas, destemido em minhas lutas,
Eterno em minha fragilidade, poderoso em minhas fraquezas!

Se não as tenho, como muitas vezes se negam, furtivamente a falar para mim,
Da intimidade que guardam e escondem, sofro, arraso-me, despedaço-me!
Que poder têm as mulheres, que se soubessem que o despir-se torna sua linguagem
Tão universal quanto possa ser uma linguagem que tudo pode e tudo domina,
Não permaneceriam horas apenas para vestir-se, o que as torna opacas,
Obscuras e insensíveis para os homem! Despir-se-iam apenas para ver-nos prostrados pelo seu discurso.

Mulheres, ah se soubessem que seu encantamento está sempre e em cada momento,
No que são capazes de inspirar, de projetar sobre o coração atarefado do homem!
Sim! O coração do homem vive atarefado com pequenas e grandes brincadeiras,
Porque os homens não são sérios, nunca o serão, porque como diz Gonçalo Tavares,
Os homens ou são tolos ou são mulheres.

Sim, não esqueçam nunca, que ou os homens são tolos,
Ou são mulheres, e nisto tudo está dito!
Apenas não nos deixem descobrir o quanto somos tolos,
Deixem-nos sempre com a certeza de nossa gravidade e importância,
Mesmo que riam à socapa, mesmo que percebam ainda mais a nossa tolice!

Realmente nasci com uma bênção ou uma maldição,
Mas sei que o que sei é amar e desejar as mulheres,
Mulheres que não me queiram mal,
Que não me façam mal, porque sei,
Que nunca faria mal a quem amo,
Nunca deixaria de dar de mim a quem amo,
Apenas me compreendam, e não me queiram mal,
Porque amo as mulheres!

Como somos tolos... mas que sejamos,
Antes tolos, do que não homens!

Acaso





Foi o acaso, eu sei, talvez não tão acaso, mas não sei.
Era como que meia noite, achei-te, ou melhor achaste-me,
Aceitei o encontro, assim, perdido na madrugada, despretensioso,
Mesmo que desconfiado.

Mas foi então que me surpreendeste,
Bela, jovem, encantadora,
Escrevias com uma correção, com uma beleza,
Que em nada lembrava a enfadonha algaravia,
Dos jovens que teclam desprezando sua língua!

Foste, de maneira delicada e tranquila,
Fazendo revelações, sérias, sentidas,
Verdadeiras, que não entendi,
Nem como propaganda de uma forma de ser,
Nem como desabafo em desdouro de mim!

Acaso, que só é permitido pelo estranhamento,
Sincero e delicado, de quem acredita no outro,
Mesmo que o outro ainda não saiba como é
O mundo,
Você,
A fome,
A dor,
O abandono...
Enfim, mesmo que o outro ainda guarde uma inocência,
Dentro de um mundo determinado pela violência!

Acaso, tanto acaso, que não sei o que fazer,
Com a paixão benigna que despertastes em mim!

Vivi mil vidas,
Acordo para mais mil todos os dias,
E todos os dias sei que viverei outras mil!
Mas o acaso, ainda assim traz-me surpresas,
Tão densas e agradáveis,
Tão prenhes de fortuna,
Promissoras de prazer e felicidade!

O que pode ser de mim,
Se encontrar-me com você,
Fizer de mim um outro?
O que pode ser de mim,
Se ao ler o que escreves,
Como escreves,
Teus carinhos, tuas discrições,
Teu encantamento,
Tua leveza,
Me seduzirem, até tornar-me
Eu e tudo que sou...
Devoto de tua presença!?

Sim, devo tomar todo cuidado,
Porque seduziste-me pelo que escreves,
E escreves como alguém culta,
Elegante, inteligente...

Sei não, mas acho que me prendestes
Apenas porque sabes escrever!
Porque sabes ser, aquela que eu gostaria de ler,
De ouvir, de viver!
Venha e escreva em minha vida...
Escreva uma página tão bela,
Porque digna de ti,
E que marque minha vida,
Apenas pelo que nela escreveu!

Encontrando






Você, como que, sempre esteve perto,
Mesmo que distante,
Sempre tive uma paixão serena e segura,
Que nutria por tua presença!

Não imaginava porém,
Que fosse tão belo e bom estar perto de você,
Apenas que, temo, temo muito,
Cada momento perto de você,
Apenas por que não quero fazer nada que te afaste de mim!

Como é bom estar com você,
Mesmo que seja um pouco,
Mesmo que seja de maneira fugaz,
Mesmo que seja para perceber o movimento de teus lábios,
Mesmo que seja para perceber o sorriso em teu rosto,
Que seja para ver os movimentos de tuas mãos,
O esmalte que tens nas unhas,
O tamanho de tuas mãos,
A predileção por certo tipo de roupas,
A forma como cortas o cabelo e os deixa compridos,
Belos que são!

Foste gentil, foste meiga,
Carinhosa, surpresa, digna,
Foste como uma princesa,
Que se coroou pela forma meiga,
Discreta de dizer-me obrigado!

Mas mesmo assim, com este pouco,
Que era esperado a tanto tempo,
Fico imaginando o que devo fazer,
Como devo fazer, para te ter,
Cada dia mais próxima de mim!

Encontrando você, eu me policio,
Para que não percebas o bem que me faz,
Para que não percebas o quanto te tenho,
Dentro de mim, guardada sempre,
Admirado sempre, de tua beleza e encantamento.

Encontrando você, sei que existo,
Sei que estou vivo, hoje e sempre,
E que acredito, sim acredito,
Que possa sempre amar, e de novo,
E novamente, amar, apenas para cuidar-te!