Espaço de sentir e pensar de Laércio Lopes de Araujo

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Primeiro dia






O primeiro dia em que a vi,
Ofuscastes meu pensamento,
Com a pele branca, o olhar inquieto,
Com a voz suave, com a ternura...
O primeiro dia em que a vi,
Foi como o primeiro dia,
De todos os dias, em que existiria,
Apenas e tão somente para pensar em você!

Surpreende-me a cada encontro,
Que és mais bela do que na primeira vez,
Cada vez que te observo,
Vejo novos encantos, novas belezas,
Perco-me apenas em olhar-te!

Cada toque que é mágico,
Cada momento de ternura,
Mesmo que despretensioso,
Fazem-me adorar mais o sublime,
Que de você se esparrama,
Em toda o meu entorno!

Não quero outra coisa,
Que imaginar você em meu colo,
Que imaginar você acarinhada,
Dividindo comigo, um mesmo ar,
Um mesmo espaço, um mesmo encanto!

Não sei bem como dizer,
Nem sei bem como imaginar,
Não consigo parar de pensar,
Todo encanto e beleza,
Que partindo de você, iluminam o mundo!

A sensação de não estar a seu lado,
É como a de morrer lentamente,
De desaparecer, perder sentido,
E então, compreendo,
Que a vida só faz sentido, quando amamos!

Não importa muito a correspondência,
Não importa muito a consequência,
Importa saber que o outro existe,
Que tem seus sofrimentos e limitações,
E que existimos, tão e somente,
Para desejar, infinitamente,
Ser felizes por produzir,
Mesmo que pálido... um sorriso!

Se há encantamento no mundo,
Este encantamento está todo reunido,
Na vida que te preenche!
Quiçá, possa eu, confundir-me com ela,
E restar sempre, emaranhado em você!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Ao fim




Caminhamos como autômatos,
Cumprimos deveres desalmados,
Recebemos migalhas por esforços vãos,
Desejamos o desnecessário,
Esquecemos o inestimável!

Terminamos sempre por acumular,
Acumular bens, acumular ouro,
Acumular mágoas, acumular pesadelos,
Por que ao fim, tudo se perde,
Tudo se resume ao fracasso de existir,
Tudo deixa de existir, para apenas restar a morte!

Caminhamos sobre escombros de memórias,
Buscando respostas a perguntas vãs,
Caminhamos como tolos, por caminhos já trilhados,
Por centenas, milhares, milhões de mortos,
Do passado, do presente e do futuro.

Estamos tão obcecados por nada,
Tão obcecados por nossas vaidades,
Que não percebemos que quando partimos,
Em busca dos culpados e dos responsáveis,
Por nossos sofrimentos, por nossas perdas,
Por nossa escravidão,
Sempre encontramos ao final...
Um espelho,
Onde reproduzimos todos e o único,
Responsável pela miserável existência,
Apenas e tão somente,
Um único!

Miramos abismados,
Nós mesmos, mil vezes refletidos,
Para só então perceber,
Que somos fragmentários,
Iludidos, solitários!

Nosso destino,
Se resume a olhar,
Ao fim,
Um espelho,
Onde apenas ser reflete,
Uma imagem!

Ao fim e ao cabo,

Nós mesmos!

Sublime






O sublime, condição única,
Em que por temor e por medo,
Nos ajoelhamos ante outro,
Que nos completa, inteiros.

Sim, o sublime,
Como temor reverencial,
Como respeito visceral,
Como admiração aplastante.

Sim, o sublime,
Como medo, medo de perder,
Medo de afastar-se, medo da ausência,
Medo como sentimento desintegrador.

Sublime, que só é percebido,
Numa relação intensa, intima,
Com o objeto amado, com o ser amado,
Sublime como expressão do divino.

Só em Deus é concebível o sublime,
Como dizia Voltaire:
O amor, num país de ateus,
Faria adorar a divindade.

Se penso e vivo o sublime,
É por que temo reverencialmente,
É por que tenho medo perpetuamente,
De  perder-me longe de teus olhos!



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

As Palavras






As palavras podem salvar-me,
As palavras podem perder-me,
As palavras que se lançam do meu pensamento,
Como flechas, fogem de mim,
Perfuram o espaço,
Levando de mim, frações do que sinto,
Perdem-se no espaço,
Afundam no lodo,
Esfacelam-se contra rochedos,
Mas não se desmancham,
Reverberam, ecoam,
Reproduzem o que me salva,
Reproduzem o que me perde,
Para arrastar-me como um trapo,
Pelos caminhos endurecidos,
Do desamor e do abandono,
Voltam sobre mim,
Com o dobro de velocidade,
Com o dobro de força,
Atingindo-me tão fundo,
Que me abismo,
Que me desfundo,
E elas caminham eternamente,
Para o sem fim de um existir sem sentido,
Mas pleno de palavras.

Escuta-me!
Palavras!